Mancha amarela do trigo

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Mancha amarela do trigo causada por Drechslera tritici-repentis: A monocultura ao seu favor.

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Mancha amarela do trigo

A mancha amarela do trigo, causada pelo agente etiológico Drechslera tritici-repentis (Teleomorfo: Pyrenophora tritici-repentis) está entre as principais doenças que acometem a cultura, devido a sua presença nos principais locais de produção de trigo no mundo e pela redução potencial da produção e da qualidade dos grãos e sementes. A infecção do fungo no período vegetativo das plantas de trigo pode resultar em aproximadamente 13% de redução na produtividade de grãos, ao passo que infecções após o florescimento reduzem em 35% a produtividade, sendo que na ausência de controle, pode ser atingido até 50% de redução na produtividade de grãos (REES & PLATZ, 1983).

As condições climáticas vigentes durante a safra de trigo no sul do Brasil, com temperaturas amenas (< 20ºC) e alta disponibilidade de umidade no ambiente, em conjunto com dias nublados são favoráveis ao desenvolvimento da doença em hospedeiros suscetíveis (HOSFORD et al., 1987). O patógeno possui a capacidade de infectar outras culturas comumente utilizadas como alternativa de rotação de culturas ao trigo como a cevada e o centeio, dificultando a redução de inóculo na área apenas pelo não cultivo do trigo (ALI & FRANCL, 2003). Diferentemente da Drechslera siccans (Teleomorfo: Pyrenophora lolli), que pode se hospedar também em azevém e aveia.

Na ausência de culturas hospedeiras, a Drechslera tritici-repentis sobrevive no solo através de estruturas especializadas, os pseudotécios. Em condições de temperaturas favoráveis, eles produzem ascósporos que são liberados atingindo as folhas das plântulas de trigo, dando início ao ciclo primário da doença (Figura 1). Além disso, as sementes são a principal fonte de introdução em novas áreas, e os resíduos culturais são a principal fonte de manutenção do patógeno na falta de um hospedeiro vivo (HOSFORD, 1971; KRUPINSKY, 1982).

Após a infecção nos tecidos foliares, conídios do patógeno são produzidos e disseminados velo vento, dando continuidade a sucessivos ciclos secundários. Os sintomas mais típicos da doença em folhas de trigo são lesões em formato de elipse, com halo amarelo que circunda lesões necróticas, podendo estar visível um ponto marrom a preto no centro (HOSFORD, 1982).

A manutenção da palhada no sistema é uma das premissas mais importantes do sistema de plantio direto (SPD), tendo vital importância no controle da erosão do solo, na supressão de plantas daninhas, servindo como fonte de abrigo e alimento para macro e microorganismos benéficos ao sistema. Entretanto, quando a rotação de culturas, outro pilar do SPD não é utilizado, o sistema de produção passa a ser considerado uma monocultura, onde a presença de palhada na superfície do solo passa a ser uma fonte importante de patógenos nocivos ao cultivo.

O sistema de sucessão soja-trigo no Sul do Brasil são os sistemas mais utilizados por produtores rurais, onde após a colheita do trigo, a palhada dessas culturas pode manter por até 18 meses os pseudotécios de D. tritici-repentis, que servirão para a infecção inicial nas safras seguintes (REIS & CASA, 2007). Sendo assim, para a redução do inóculo, não basta apenas realizar a rotação de culturas no inverno onde a aveia é utilizada ao invés do trigo, ou vice-versa, sendo necessário a retirada dessas culturas do sistema por pelo menos duas safras, tempo necessário para a total decomposição dos restos culturais.

O nível de cobertura do solo pode ser uma ferramenta importante para o retardo da infecção inicial. A palhada depositada sobre o solo, impede com que os respingos de chuva auxiliem na migração do inoculo inicial para as folhas, diminuindo a taxa de progresso inicial (Figura 2).

Além disso, também pode-se lançar mão de cultivares resistentes ao patógeno, utilização de culturas não hospedeiras como a canola, o nabo-forrageiro e a ervilhaca, assim como, evitar a entrada do patógeno na área via utilização de sementes sadias.

Informações sobre os Autores:

    ¹ = Estudante do curso de agronomia URI Campus Santo Ângelo e membro do Grupo de Proteção de Plantas URI Santo Ângelo.

    ² = Professor Dr. da URI Campus Santo Ângelo e Santiago e coordenador do grupo de proteção de plantas URI Santo Ângelo e Santiago.

Referências

ALI, S.; FRANCL, L. J. Race structure of the population of Pyrenophora tritici-repentis prevalent in wheat and non-cereal grasses. Plant Dis. 87: 418-422. 2003.

HOSFORD, JR., R. M. A form of Pyrenophora trichostoma pathogenic to wheat and other grasses. Phytopathology 61:28-32. 1971.

HOSFORD, JR., R. M. Tan spot. Pages 1-24 in: Proc. Tan Spot Wheat Related Diseases Workshop. R. M. Hosford, Jr., ed. N.D. Agric. Exp. Stn., Fargo. 1982.

HOSFORD, R.M. JR.; LAREZ, C.R.; HAMMOND, J.J. Interaction of wet period and temperature on infection and development of Pyrenophora tritici-repentis in different-resistance wheat. Phytopathology 77: 1021-1027. 1987.

KRUPINSKY, J. M. Observations on the host range of isolates of Pyrenophora trichostoma. Can. J. Plant Pathol. 4:42-46. 1982.

REES, R. G.; PLATZ, G. J. Effects of yellow spot on wheat: comparison of epidemics at different stages of crop development. Australian Journal of Agricultural Research, v. 34, p. 39-46, 1983.

REIS, E. M.; CASA, R. T. Doenças dos cereais de inverno: diagnose, epidemiologia e controle. Lages: Graphel. 2007, 176p.

Fonte: Equipe Mais Soja. Autores: Luiz Eduardo Braga¹, Eduardo Argenta Steinhaus¹, Camila Tenório¹, Djordan Willian Feller¹ e Marcelo Gripa Madalosso².


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