Trigo (Triticum aestivum) no manejo de buva

Trigo (Triticum aestivum) no manejo de buva

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Importância da cultura do trigo (Triticum aestivum) no manejo de buva (Conyza spp.) durante o inverno.

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A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle, entretanto, tem-se como alternativa, o manejo na cultura do trigo(Triticum aestivum) no inverno, a fim de reduzir a infestação para o cultivo subsequente. Para isso, faz-se necessário entender o comportamento desta planta, compreendendo assim, principalmente, quando ocorre a sua, emergência, e quais são os ambientes necessários para seu desenvolvimento. Também é, fundamental utilizar/entender o manejo cultural associado ao químico, ferramentas utilizadas no manejo integrado de plantas daninhas (MIPD).

O ciclo de desenvolvimento da buva é de forma anual/bianual, porém, ainda pode perenizar-se de acordo com a falta de distúrbio no ambiente e/ou falta de controle eficiente. A disseminação desta planta daninha ocorre através do vento e da água, devido as sementes serem pequenas de fácil dispersão. A buva é fotoblástica positiva, isso significa que a germinação acontece somente na presença de luz (KISSMANN & GROTH, 1992; LAZAROTO et al., 2008). Ainda, a semente não apresenta nenhum mecanismo de dormência complexo, estando condicionada a germinar nas condições edafoclimáticas adequadas, que iniciam-se de forma ampla no outono até o fim do ciclo nos cultivos de verão.

A produção de sementes é algo que também pode determinar o potencial de dispersão e infestação desta planta daninha, tendo uma  capacidade de produção de cerca de 200 mil sementes por planta(CROSE et al., 2020). Essa característica, proporciona um grande potencial de alimentação do banco de sementes e posterior perpetuação dessa espécie nas áreas agrícolas. Como a germinação da buva inicia no período de outono/inverno, a cultura do trigo pode ser uma importante aliada do produtor rural, visando diminuir as populações já instaladas na sua lavoura, ou mesmo minimizar infestações futuras.

O trigo pode ser uma importante ferramenta para a utilização do controle cultural, tendo capacidade de sombreamento da entrelinha, dificultando a emergência, devido a sua alta densidade populacional e redução da penetração da luz solar no solo.  Fazendo com que o crescimento da buva que possa permanecer em meio ao trigo seja reduzido, ficando com no máximo 5 folhas até o período antecedente a colheita (CONSTANTIN et al., 2013), o que pode facilitar estratégias de controle químico futuras. Em comparação com pousio, é possível verificarmos a eficiência do cultivo de trigo na supressão das populações de buva. Visto que em estudos comparativos foi avaliado que na área de pousio havia cerca de 26,7 plantas por m2, enquanto, na área cultivada com trigo havia apenas 2,2 plantas por  m2 em média (CONSTANTIN et al., 2013). Também é possível realizar o manejo químico destas plantas na própria cultura.

O manejo com herbicidas pode ser utilizado no controle de buva na cultura do trigo e na pós colheita, porém, para controle de buva é  conveniente destacar importância dos  seguintes fatores: estádio, dose e o histórico de resistência da área. O estádio da planta daninha afeta diretamente a eficiência dos diferentes herbicidas no manejo, visto que plantas com até 6 folhas são controladas mais facilmente (OLIVEIRA et al., 2010). A época de aplicação varia de acordo com cada produto, bem como a dose recomendada de cada ativo, e salienta-se que doses abaixo ou acima do recomendado em bula juntamente com o uso continuo  do produto pode acelerar a seleção de biótipos resistentes. Devendo sempre, ser consultado a bula e um engenheiro agrônomo para promover práticas mais sustentáveis dentro do manejo químico.

O histórico de resistência é devido ao uso excessivo de um mesmo herbicida, por isso é primordial que o agricultor utilize a rotação de mecanismos de ação para evitar a expansão dos casos de plantas resistentes. No Brasil, existem 3 espécies de buva resistentes, são elas: C. bonariensis, C. Canadensis e C. sumatrensis, sendo que em 2005 contatou-se a resistência de C. bonariensis e C. Canadensis ao glifosato. Já a C. sumatrensis, é notório o elevado número de casos registrados, sendo 4 casos de resistência simples há glifosato, clorimuron, paraquat e saflufenacil, e 3 casos de resistência múltipla (HEAP, 2021).

Para o manejo com herbicidas em pós emergência da cultura do trigo, em áreas que não foi verificado resistência, é possível a utilização dos mecanismos de ação da ALS e mimetizadores da auxina. Podendo ainda, utilizar outros mecanismos em rotação, como os inibidores da Protox e inibidores do fotossistema II. O triticultor com base no histórico da sua área, deve verificar a eficiência dos produtos com estes mecanismos de ação. Salienta-se que aplicações em pré-colheita para o manejo de buva não é eficiente (VARGAS et al., 2016).

Ao final do ciclo da cultura do trigo, devido a senescência e posteriormente a entrada de luz na entrelinha, ocorre um fluxo de emergência/crescimento das plantas de buva. Este fato, não afeta a produtividade, mas se torna um problema para as culturas subsequentes. O manejo logo após a colheita da cultura é fundamental, para evitar que as plantas de buva se desenvolvam, e se perda o “time” de aplicação, e consequentemente na diminuição da eficiência dos herbicidas.

Estudos mostram que depois da colheita do trigo, as plantas de buva evoluem rapidamente, podendo chegar a 50 cm de altura (CONSTANTIN et al., 2013). Lembrando que o estádio da planta daninha afeta diretamente a eficiência dos diferentes herbicidas no manejo (OLIVEIRA et al., 2010), sendo que plantas com até 6 folhas são controladas por herbicidas dessecantes, tais como; chlorimuron-ethyl, metsulfuron-methyl, diclosulam, amônio-glufosinato, diquat e 2,4-D (CUTTI et al., 2014). Acima deste estágio a eficiência do controle diminui e aumenta a necessidade de manejos sequenciais.

O manejo desta planta daninha deve ser constante, evitando a disseminação nas áreas. Neste cenário a cultura do trigo é uma excelente aliada do produtor que busca reduzir a infestação da sua lavoura. Tendo em vista que, em geral esta planta daninha tem dificuldade para emergir e se desenvolver durante o ciclo do trigo, tendo papel importante de supressão do seu desenvolvimento.  Ficando mais fácil o controle pós-colheita do trigo pela maior gama de herbicidas existentes.

Informações sobre os autores:

    ¹ = Estudante do curso de agronomia URI Campus Santo Ângelo e Membro do Grupo de Proteção de Plantas URI Santo Ângelo.

    ² = Professor da área de Herbologia, Mestre em Engenharia Agrícola, URI Campus Santo Ângelo, Membro do Grupo de Proteção de Plantas URI Santo Ângelo.

Referências:

BLAINSKI, E. Herbicidas alternativos para o controle de Conyza spp. em diferentes estádios de desenvolvimento e monitoramento de fluxos de emergência em campo. 2011. 71f. Dissertação (Mestrado em Agronomia – Proteção de Plantas) – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2011.

CABI. Compêndio de Espécies Invasivas. Disponível em: (https://www.cabi.org/isc/datasheet/15250). Acesso em 08/06/2021.

CONSTANTIN, JAMIL et al. Buva: fundamentos e recomendações para manejo. Curitiba: Omnipax, 2013.

CROSE, J., Manuchehri, M.,Baughman, T., Manejo de Horseweed em Oklahoma Winter Wheat. 2020. Disponível em: (https://extension.okstate.edu/fact-sheets/horseweed-management-in-oklahoma-winter-wheat.html). Acesso em 13/06/2021.

CUTTI, L. et al. Herbicidas alternativos para o controle de buva resistente ao Glyphosate em diferentes estádios de desenvolvimento. In: Embrapa Pecuária Sul-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS, 29., 2014, Gramado. A ciência das plantas daninhas em clima de mudança: anais.[Londrina]: SBCPD, 2014., 2014.

HEAP. International Herbicide-Resistant Weed Database. Disponível em: (http://www.weedscience.com/Pages/Species.aspx). Acesso em 08/06/2021.

KISSMANN, K. G.; GROTH, D. Plantas infestantes e nocivas. São Paulo: Basf Brasileira, 1992. tomo II. 798 p.

LAZAROTO, C. A.; FLECK, N. G.; VIDAL, R. A. Biologia e ecofisiologia de buva (Conyza bonariensis e Conyza canadensis). Ciência Rural [online], v. 38, p. 852- 860, 2008.

OLIVEIRA NETO, A. M. et al. Manejo de Conyza bonariensis com glyphosate + 2,4-D e amônio-glufosinate em função do estádio de desenvolvimento. Revista Brasileira de Herbicidas, v.9, p.73-80, 2010.

VARGAS, Leandro; PIRES, João Leonardo Fernandes; GUARIENTI, Eliana Maria. Controle de buva (Conyza bonariensis e C. canadensis) e azevém (Lolium multiflorum) com uso de herbicidas não-seletivos em pré-colheita do trigo. In: Embrapa Trigo-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE, 10., 2016, Londrina. Anais… Londrina: Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, 2016., 2016.

Autores: Eduardo Argenta Steinhaus¹, Luiz Eduardo Braga¹ e Roberto Costa Avila Neto².

Fonte: Equipe Mais Soja.


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