Aveia preta no sistema de plantio direto

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Aveia preta: Acúmulo e liberação de nutrientes no sistema plantio direto.

Em um sistema de produção que realize a rotação de culturas, a cobertura do solo é muito visada não só para o controle de plantas daninhas, mas também para a sustentabilidade do sistema, incremento de matéria orgânica do solo, ciclagem de nutrientes entre outros fatores. Especialmente nas regiões Sul do Brasil, uma das plantas de cobertura mais cultivadas após a soja no sistema de rotação de culturas é a aveia-preta (Avena strigosa), planta que apresenta elevada produção de palhada, aptidão para uso em consórcio com outras plantas de coberturas e custo de produção relativamente baixo.

A facilidade de cultivo e manejo, aliadas ao relativo baixo custo de produção, fizeram da aveia uma planta tradicionalmente cultivada em diversas regiões do Rio Grande do Sul no período do inverno. Entretanto, os Benefícios da cultura  não param por ai, além de produzir uma considerável quantidade de palhada que com sua alta relação C/N possibilita um longo tempo de cobertura do solo, a aveia-preta acumula nutrientes em sua palhada, os quais posteriormente virão a ser disponibilizados para a cultura em sucessão, contribuindo para a boa nutrição dela.

A Taxa de decomposição e de liberação de macronutrientes da palhada de aveia preta em plantio direto foi avaliada por Crusciol et al. (2008). Os autores cultivaram aveia-preta em um  sistema de plantio direto de quatro anos, submetendo-a ao manejo com rolo faca e dessecação aos 30 dias após emergência da cultura. Nas condições do presente estudo a quantidade média de matéria seca produzida por hectare foi de 2953 kg.

Conforme resultados obtidos (figura 1), no momento do manejo, o acúmulo de N, P e K foi respectivamente de 70,1 kg ha-1, 14,7 kg ha-1 e 88,4 kg ha-1, os quais foram liberados ao solo a medida em que o tempo após o manejo aumentava. Conforme destacado por Crusciol et al. (2008), a máxima liberação de Nitrogênio (N) ocorreu aos 63 dias após o manejo da aveia, enquanto a máxima liberação de Potássio (K) ocorreu aos 48 dias após o manejo. o Fósforo liberado dos tecidos orgânicos (ligados estruturalmente a moléculas proteicas e em compostos ligados ao transporte de energia), aos 35 e 53 dias após o manejo da aveia-preta, foram, respectivamente, de 9,4 e 12,7 kg ha-1, caracterizando a aveia-preta como excelente recicladora desse elemento pouco solúvel (Crusciol et al. 2008).

Quanto menor a quantidade acumulada do nutriente no resíduo em processo de degradação, maior foi sua quantidade disponibilizada para o solo, ou seja, o comportamento entre essas duas variáveis é inversamente proporcional (Crusciol et al., 2008).

Com base nos resultados do presente estudo, pode-se dizer que a uma tonelada de matéria seca de aveia-preta acumula aproximadamente 23,7 kg de Nitrogênio por hectares, 5 kg de Fósforo e 30 de Potássio, os quais serão disponibilizados ao solo para a cultura sucessora. Sendo assim, os resultados obtidos por Crusciol et al. (2008) demonstram que a aveia-preta além de ser uma excelente planta de cobertura é uma ótima cultura para inserção no sistema de produção visando reciclagem de nutrientes e sua liberação relativamente tardia para o sistema de produção.

Além do Nitrogênio, Fósforo e Potássio, Crusciol et al. (2008) avaliaram a taxa de acúmulo e liberação de outros macronutrientes em aveia-preta tais como Cálcio, Magnésio e Enxofre. Confira o trabalho completo de Crusciol et al. (2008) clicando aqui!

Referências:

CRUSCIOL, C. A. C. et al. TAXAS DE DECOMPOSIÇÃO E DE LIBERAÇÃO DE MACRONUTRIENTES DA PALHADA DE AVEIA PRETA EM PLANTIO DIRETO. Bragantia, Campinas, v.67, n.2, p.481-489, 2008. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/brag/v67n2/a24v67n2.pdf >, acesso em: 26/04/2021.

Fonte: Equipe Mais Soja.


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