Período seco
Doenças respiratórias em cavalos se tornam muito mais frequentes durante o período seco devido à baixa umidade, poeira, ventilação inadequada e maior permanência dos animais em ambientes fechados. Influenza equina, garrotilho e pneumonias comprometem a saúde, reduzem o desempenho esportivo e elevam os custos de produção. Medidas simples de manejo, vacinação e biossegurança ajudam a diminuir significativamente os riscos.
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A chegada da estiagem em grande parte do Brasil exige atenção redobrada dos criadores. Além dos impactos sobre lavouras, pastagens e reservatórios de água, o clima seco favorece o avanço das doenças respiratórias em cavalos, um problema que compromete a saúde dos animais, reduz o desempenho esportivo e pode provocar prejuízos expressivos em haras, centros de treinamento e propriedades de trabalho.
A combinação entre baixa umidade do ar, excesso de poeira, maior concentração de partículas suspensas, acúmulo de amônia nas baias e permanência prolongada em ambientes fechados torna o sistema respiratório equino especialmente vulnerável nesta época do ano.
Mais do que uma simples tosse, os problemas respiratórios podem reduzir a capacidade pulmonar, afastar animais de competições, elevar os custos veterinários e, nos casos mais graves, evoluir para pneumonias severas.
Os cavalos apresentam uma característica fisiológica importante: respiram exclusivamente pelas vias nasais. Essa condição torna o aparelho respiratório extremamente sensível à qualidade do ar.
Durante a estiagem, a baixa umidade favorece a permanência de micropartículas em suspensão, aumentando a exposição contínua dos animais a agentes irritantes.
Entre os principais fatores estão:
Quando essa exposição ocorre diariamente, instala-se uma irritação progressiva das vias aéreas, favorecendo processos inflamatórios que podem evoluir para doenças de maior gravidade.
Estudos veterinários mostram que alterações respiratórias figuram entre as principais causas de queda de desempenho de cavalos atletas e de afastamento em atividades esportivas e de trabalho.
A doença respiratória em cavalos mais contagiosa é a influenza equina. Sua transmissão ocorre rapidamente, principalmente em eventos que concentram grande número de animais, como provas, exposições, leilões e competições.
Os sinais clínicos incluem:
Também conhecido como adenite infecciosa equina, o garrotilho é uma enfermidade bacteriana altamente contagiosa que compromete o trato respiratório superior.
Os sintomas mais comuns são:
Quando a infecção alcança os pulmões, o quadro clínico pode evoluir rapidamente.
Os principais sinais incluem:
Em potros e animais jovens, o risco de complicações é ainda maior, exigindo atendimento veterinário imediato.
O Brasil possui um dos maiores plantéis de cavalos do mundo, com um mercado que movimenta bilhões de reais em genética, criação, provas esportivas, leilões e comercialização de animais de alto valor.
Nesse cenário, as doenças respiratórias em cavalos representam um problema que vai além da saúde animal.
Especialistas alertam que cavalos submetidos a exercícios intensos enquanto apresentam inflamações respiratórias podem desenvolver:
Levantamentos técnicos indicam que problemas respiratórios não diagnosticados precocemente reduzem de forma importante a performance de animais destinados a modalidades como tambor, rédeas, salto e corrida, causando prejuízos diretos aos criadores.
Na maioria das situações, as doenças respiratórias em cavalos não começam por uma infecção primária, mas por condições ambientais inadequadas que favorecem o desenvolvimento dos agentes causadores.
Entre as principais medidas preventivas estão:
Ambientes bem ventilados reduzem a concentração de gases irritantes e diminuem o risco de proliferação de agentes infecciosos.
A umidificação periódica de pistas, arenas e áreas de manejo reduz significativamente a quantidade de partículas inaladas pelos animais.
Fenos com excesso de poeira ou presença de fungos estão entre os principais fatores desencadeantes de inflamações respiratórias.
Protocolos sanitários contra influenza equina e herpesvírus são fundamentais para reduzir a circulação dessas enfermidades.
O isolamento precoce evita surtos em haras, centros de treinamento e propriedades com grande movimentação de cavalos.
Uma queda repentina no rendimento pode ser um dos primeiros sinais de comprometimento respiratório.
Com o crescimento da equinocultura nacional, aumentam também os investimentos em medicina veterinária preventiva, protocolos de biossegurança e monitoramento contínuo dos animais, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde os períodos de estiagem costumam ser mais prolongados.
Veterinários destacam que sinais aparentemente discretos, como tosse ocasional, pequena secreção nasal ou leve perda de desempenho, podem indicar processos inflamatórios em evolução.
Por isso, a prevenção continua sendo o melhor investimento.
No campo, em haras ou centros de treinamento, prevenir quase sempre custa menos do que tratar. E, em um mercado no qual alguns cavalos alcançam valores de centenas de milhares — ou até milhões de reais — preservar a saúde respiratória dos cavalos representa não apenas uma medida veterinária, mas também uma decisão estratégica para proteger patrimônio, desempenho esportivo e rentabilidade.
Durante a seca, o ar que o cavalo respira pode se transformar em um dos maiores fatores de risco dentro da propriedade. Reconhecer esse cenário e adotar práticas preventivas é essencial para reduzir a ocorrência de doenças respiratórias em cavalos e garantir bem-estar, produtividade e longevidade aos animais.
Imagem principal: Depositphotos.
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